O autocuidado como parte do cuidar



Cuidar é interagir, é ter atitudes positivas com o outro, inclui envolvimento e amor. Mas saber qual a maneira correta e como fazer o melhor para quem está sendo cuidado é a grande dificuldade e, somente a partir da compreensão do ato de cuidar que o cuidador desempenhará suas funções da melhor forma.


Mas não é só isso. O autocuidado também se faz necessário, pois para cuidar é preciso estar bem consigo mesmo. É muito comum o cuidador se dedicar 24 horas ao outro e esquecer-se de si. Muitas vezes a entrega vai além dos limites físicos e emocionais e ele acaba por adoecer também – e isso requer atenção.


O cuidador precisa fazer algumas reflexões: como envolver-se se não estou bem nem comigo mesmo(a)? Como dar amor se estou tão preocupado(a) em acertar? Não é fácil, mas com acompanhamento psicológico o caminho se torna mais leve. Muitas vezes o sentimento de isolamento, de solidão, de não pertencimento se tornam presentes e a angústia só aumenta. Busque ajuda, pois é com equilíbrio que conseguimos nos doar, cuidar e amar com plenitude.


Quando cuidamos de alguém que sofre, sentimos seu sofrimento como nosso. Isso acontece porque os centros de dor do nosso cérebro se tornam ativos, no entanto, nós, seres humanos, somos limitados no quanto de sofrimento pelos outros podemos suportar sem ficarmos sobrecarregados.


Há 2 conselhos que podem ser dados:

Primeiro, delimite fronteiras entre você e quem você cuida. O problema é que se estamos cuidando de alguém que amamos, como um filho por exemplo, colocar esses limites pode prejudicar a qualidade da relação e ser mal interpretado pela pessoa que está sendo cuidada.


O outro conselho seria, envolva-se em atividades de autocuidado como atividade física, alimentar-se bem, passar um tempo com amigos ou até mesmo tirando alguns dias de férias. Eu sei que não é algo fácil, mas comece devagarzinho, com situações pequenas. Já tive relatos de cuidadores que acordavam 10 minutos antes do habitual para alongar-se, para fazer um relaxamento, ou que colocavam no carrinho de supermercado um chocolate que gostavam e o saboreavam no carro, sentindo o sabor do momento. Lembre-se, não há certo ou errado, o que existe é o melhor para você.


Eis o relato de uma paciente com a qual trabalhei por seis meses:

“Me considero nova de espírito e com motivação para viver momentos novos. Acreditei que após nossa aposentadoria, viajaríamos, passearíamos, conheceríamos pessoas novas. Mas, quando somos acometidos pela doença do século, a nossa vida se transforma num piscar de olhos. Ela se chama Demência. E não fui eu a vítima, foi meu marido, com que convivo há 42 anos, mas me sinto tão vítima quanto ele”.

As expectativas, os sonhos, a identidade dela enquanto esposa e mulher foram temas trabalhados em sessão. Ela se fortaleceu em seus valores, aceitou seus sentimentos simplesmente como são e se comprometeu com a vida que escolheu.

Para concluir, algumas palavras que li recentemente e muito me inspiram:

“Cada um de nós está na sua própria jornada na vida.

Eu não sou a causa do sofrimento dessa pessoa,

E nem está inteiramente dentro do meu poder fazer isso desaparecer,

Muito embora eu quisesse ser capaz.

Momentos como este são difíceis de suportar,

No entanto ainda posso tentar ajudar se puder”.

Kristin Neff e Christopher Germer

Referência:

NEFF, K.; GERMER, C. Manual de mindfulness e autocompaixão: um guia para construir forças internas e prosperar na arte de ser seu melhor amigo. Porto Alegre: Artmed, 2019.


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Janaina de Abreu Gaspar

Psicóloga Clínica

CRP 06/78629

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